História

Solar Fazenda Capituva

A história da Fazenda Capituva está totalmente ligada às origens de São João da Boa Vista SP. A partir de 1760, a propriedade era cortada por uma bifurcação da Estrada de Guayases, acesso ao norte das Minas Gerais. Esta estrada ainda existe, com algumas retificações de leito, e que atualmente dá acesso à sede da Fazenda Capituva. Torna-se, também, a entrada da cidade, já que a fazenda estava bem próxima à periferia urbana. O mesmo local foi apossado por Ignácio Cândido no início dos anos 1820, irmão de Francisco Cândido e cunhado de Antonio Machado, este último considerado o “primeiro” fundador de São João da Boa Vista em 1824. O nome Capituva vem do tupi guarani e significa gramínea de beira de rio. Mas quanto à Fazenda, o significado mais provável vem da vegetação baixa que se apresentava ao longo da estrada, que margeava pequenas várzeas do Ribeirão dos Porcos até o Rio Jaguari Mirim. A Fazenda Capituva é derivação de uma fazenda-engenho sesquicentenária: a Fazenda da Glória, constituída pelo “segundo” fundador de São João da Boa Vista, Monsenhor João José Vieira Ramalho (Mons. Ramalho), com sede construída em 1850. Esta propriedade foi vendida para José Procópio de Andrade em sociedade ao Comendador Ribeiro, e nos anos 1860 repartida em duas fazendas: Glória e Capituva.

Comendador Ribeiro construiu a Casa Sede da Fazenda Capituva em taipa-de-mão sobre alvenaria de pedra e, nas últimas década do século XIX, reconstruiu-a em alvenaria de tijolos feitos na própria fazenda. Originalmente, este quinhão de terras não estava voltado à cana-de-açucar, mas às pastagens de muares, criação de gado e porcos, plantações de milho, arroz e outros produtos, culturas complementares e suportes para o engenho da Glória. Comendador Ribeiro substituiu quase toda produção por cafeeiros e construiu em frente à sede grande terreiros em patamares ladrilhados. Ao lado, com acesso por vagoneta sobre trilhos, construiu a grande tulha em alvenaria de tijolos, com pavimento inferior de grossas paredes de pedras (granito), onde instalou moderno e completo maquinário de processamento e separação dos grãos. Após 1906, a Fazenda Capituva foi vendida para Joaquim Osório Azevedo, mais conhecido como Quinzito do Desterro, recém-casado com Palmyra Oliveira Costa. Quinzito qualificou a fazenda como uma das melhores do município, ampliando-a em território, em pés de café e em colônias de estrangeiros.

No ano de 1920, com o crescimento da família, Quinzito e Palmyra investiram na ampliação da sede, duplicando sua dimensão com mais quartos e áreas de serviços. Contrataram para a reforma o arquiteto e engenheiro Francisco Palma Travassos, o mesmo que projetou a reforma e ampliação da casa da cidade de Quinzito. Chico Travassos dotou a sede de extensos alpendres, ao gosto dos bangolows neo-coloniais, ampliou a sala com arcada e colunas e criou grande lanço de despensas e cozinhas específicas. Logo na entrada, construiu as garagens para automóveis e troles, transformando a parte superior em salas de jogos para os jovens filhos do casal, além de desenhar alamedas e canteiros do jardim, tropicalizado com várias espécies de palmeiras, arbustos e trepadeiras de flores.

Para arrematar a beleza do local, Dona Palmyra cultivou extensas faixas de agapanthus, bela flor azul e flor branca que floresce na primavera, que ainda hoje é vista por toda fazenda.

A partir dos anos 1960, a Fazenda foi sendo parcelada, preservando-se poucos alqueires no entorno do centenário e histórico complexo arquitetônico. O terreiro perdeu sua função original e manteve todo o perímetro de muros de pedras em perfeito estado de preservação mantendo assim a beleza de outrora. Construíram uma bela piscina em frente à sede, revestida de azulejos com barrado da moda. Parte de seu mobiliário original, que compunha de peças antigas da família provindas da cidade e de outras fazendas, ainda pode ser visto na fazenda.

Após ser adquirida pelo atual proprietario a preservação e restauração dos elementos remanescentes, não mais parou.

Atualmente existem na fazenda alem da belíssima Casa-sede e o Salão de jogos, que estão em restauração,  mais 7 casas, a centenária Tulha de Café que foi restaurada com todo o seu esplendor, um Paiol que transformou-se em rústico espaço gastronômico, mais de 6.000 m2 de área de gramados que foram recuperados, pátios internos receberam benfeitorias, junto aos jardins de Agapantos edificou-se um local coberto para desfrutar de almoços e festas, as alamedas internas receberam calçamento de blocos de pedra, 4 chafarizes e antigas estatuas se espalham pela fazenda,  a área junto ao antigo terreiro de café recebeu como ampliação do histórico celeiro de café, um grande e nobre espaço para festas com mais de 1200 m2 o Salão Imperial.

Daí, a história da Fazenda Capituva tomou outro rumo, só indo lá para ver.

São João da Boa Vista SP